terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Lídia Jorge e o pudor

Hoje tive o prazer de assistir uma aula-palestra com a escritora portuguesa Lídia Jorge, que foi falar com os alunos da cadeira "Escrita Criativa" (que por acaso eu não faço, mas comecei a pensar a respeito). Foi interessantíssimo estar pela primeira vez perto de alguém que conseguiu concretizar uma carreira premiada dentro da Literatura, coisa que admiro e que um dia gostaria de poder fazer.

Mas o que eu queria falar era sobre uma certa pergunta que lá foi colocada. Um pergunta sobre o que ela achava sobre os escritores que não acreditam naquilo que escrevem. Uma pergunta feita por mim. O mais engraçado é que eu nem sei se era mesmo isso o que eu queria ter perguntado (A minha primeira ideia era perguntar sobre o mercado de trabalho, as editoras, as possibilidades para os iniciantes.) Mas eu fiquei tão nervosa, tão nervosa que não consegui. E, por isso, depois, fiquei pensando... porque será que minhas mãos suavam e fiquei tão nervosa? Acho que as pessoas em geral - talvez nem tenha sido uma coisa que só acontece comigo - têm medo de serem julgados por aquilo que vão dizer, aquilo que pensam. Mas sabe o que é o mais engraçado? É que a pergunta que eu fiz era exatamente sobre a mesma coisa que agora estou falando: medo de ser julgado. Porque na verdade o que eu perguntei pra ela era o que ela achava sobre as pessoas que tem medo de acreditar em suas obras porque têm medo de mostrar o que pensam, porque têm medo de serem julgadas... E esse tipo de pessoa é o que exatamente sou e foi isso exatamente o que eu fiz. Tive medo de ser julgada por "uma pergunta tão idiota."

Mais engraçado ainda foi quando depois de tanto suar e de tanto sofrimento, eu parei para escutar algo que ela disse ao final de toda a palestra. Ela disse: "Existem escritores que encontram palavras para perderem o pudor."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.