terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Qual é o erro?

-Hoje falaram-me que falo como uma brasileira.

Foi essa a frase que a minha colega de apartamento, Dagmar, a (t)checa, declarou brevemente hoje, ao entrar na cozinha de nosso pequeno apartamento. Presentes estavámos eu, a brasileira, e a Patrícia, a portuguesa. Sorri. Ela não. A Patrícia riu. A Dagmar fez aqueles sons que se fazem quando estamos entre amigos e fingimos que estamos chorando. Ela fingiu que estava chorando. Ela tentou argumentar que "estou em Portugal e não estou a aprender Português". Eu fiquei pasma. Ela: "Eu disse "olá, tudo bem?" e ele disse-me que eu parecia uma brasileira." É, é mesmo verdade que uma frase tão grande pode determinar o perfil de um falante, a melodia de seu sotaque, todas as características que evidenciam a variante brasileira do português ou, porque não dizer, o brasileiro.

Uma pessoa que vem de um lugar tão distante, sem saber nada da história das colonizações, sem saber nada sobre variantes de línguas (que nem eu direito sei, mesmo estudando exatamente isso) sente-se pior, sente-se errado, "chora" porque ao cantarolar um "tudo bem" ao ver um amigo é comparada a uma brasileira. Olha, eu não acredito que o amigo dela quis dizer que era engraçadinha por falar com tal sotaque, porque senão ela não teria reagido como reagiu ao relatar que falava como eu. Por quê? Como é que um simples "bem" caracteriza o sotaque de alguém? E, mesmo se caracterizasse: qual é o problema? qual é o erro?

Um comentário:

  1. Eu até comentaria...mas é melhor eu ficar quieto, se este post fosse escrito por mim, já entraria atirando para matar rss admiro a sua complacência e diplomacia amiga, você vai mesmo para o céu.



    Beijos

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