segunda-feira, 2 de março de 2009

Viagem pelo mundo álcool


Nesta última semana viajei pela Áustria, em duas cidades chamadas Sankt Georgen e Aflenz, e pela Hungria, precisamente em Budapeste. Grande parte do tempo nevou e acho que eu nunca vou perder o brilho nos olhos ao ver o mundo branco. Para mim, é a coisa mais linda que existe.


Nestes dias pude matar a saudade do idioma alemão e tentei embromar meu querido deutsch sempre que podia, mesmo quando as pessoas respondiam em inglês eu continuava insistindo e falava em alemão. No hotel em St Georgen, no meio do show e com a música muito, muito alta, eu resolvi pedir uma taça de vinho. Berrando aos ouvidos do barman eu dizia "Wein", uma, duas, três vezes... e ele continuava a me encarar como se eu estivesse ali falando algo de outro mundo, algo que soasse talvez húngaro, não sei. Após a derradeira e quinta vez uma garota que estava ao meu lado pediu que eu falasse ao seu ouvido e eu disse, mais uma vez, "Wein": era tão difícil assim? Ela então virou-se para o barman e disse algo. Algo que eu não faço ideia mas que, enfim, foi providencial para que uma taça, a ser inundada, surgisse à minha frente. O que ela disse, ich weiss nicht. Mas o que acontece é que em vilas e pequenas cidades as pessoas não falam alemão propriamente, mas um dialeto, algo quase caipira. E talvez o moço estivesse bêbado demais para entender meu sacrílego hochdeutsch für ausländichen (alemão para estrangeiros).

Já em Budapeste fui descobrir como se diz vinho em húngaro. Boroző. Assim mesmo, com esses dois acentos em cima do o. Segundo um amigo húngaro, esta palavra pronuncia-se da seguinte forma: Bôrôzöö; sendo o ö palatalizado, ou seja, ao falar ö, diz-se o normalmente mas coloca-se a língua enconstada nos lábios. E quando a palavra tem esse ő especial com os dois acentos, deve-se prolongar o ö, fazendo-o duas vezes. Um öö... Claramente muito simples e diferenciador. Será que se eu tivesse falado assim lá em Aflenz o barman teria entendido? Talvez se eu tivesse pedido cerveja. A cerveja em húngaro escreve-se Söröző. Alguém arrisca a pronúncia?

Hoje na faculdade, um colega belga, interessadíssimo pela língua portuguesa, me perguntou o significado da palavra caipirinha. Eu logo, prontamente, disse que tinha a ver com caipira, aquele, o sujeito do interior. Mas, na verdade, não tinha certeza. Então, chamei o meu amigo Houaiss para resolver a questão. E ele me disse que eu estava certa. Mas me contou, claro, algo ainda mais interessante: o que é que tem a ver o caipira do interior com a mistura de limão e cachaça?
Caipirinha:
1. Regionalismo: Brasil.
bebida preparada com rodelas ou pedaços de limão com casca, ger. macerados, misturados e batidos ('agitados') com açúcar, gelo e cachaça ou outra aguardente (como vodca ou rum).
2. Regionalismo: Rio de Janeiro.
botequim simples e pequeno, onde se servem bebidas e refeições ligeiras no balcão.

Talvez era "caipirinha austríaca" a palavra mágica que eu não conhecia em Aflenz.

2 comentários:

  1. Quel, numa preguica de dar dó aqui me encontro hehe
    Ia passar só para dizer que amanha eu voltaria... mas fui lendo e quando vi já tinha terminado. Deve ser o jeito gostoso que escreve e que vai envolvendo.

    Eu acho que esse barman era desatento mesmo... acho o atendimento nota zero nessas bandas. Em PT como é?

    Um beijo Dear, tschüssssss

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  2. Esse amigo Houaiss é realmente pra todas as horas né?
    Tb acho que o garçom tava era muito bêbado...

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