quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sobre o agora

“– o que é, meu amor?
- Ah, como podemos suportá-lo?
- Suportar o quê?
- Isto. Por tão pouco tempo. Como poderemos passar este tempo a dormir?
- Podemos estar silenciosos juntos, e fingir – visto ser apenas o início – que dispomos de todo o tempo do mundo.
- E a cada dia teremos menos. E depois nenhum.
- Preferias, então, não ter tido absolutamente nada?
- Não. É para aqui que sempre tenho vindo. Desde que o meu tempo começou. E quando partir daqui, este será o ponto daqui, este será o ponto central, para onde tudo correu, antes, e de onde tudo correrá. Mas agora, meu amor, estamos aqui, estamos aqui e agora, e aqueles outros tempos correm em outro lugar.” 
A. S. Byatt

2 comentários:

  1. O tempo corre em outro ponto. Como o amor, o vento, o frio. Raquel. Belo nome. Gostei do post.

    Abraço,

    R.Vinicius

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  2. Nao dá para deixar nada para depois. Não dá pra adiar alegrias nem sabores bons. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje...

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