segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A.pê.tê.ó


O meu pai sempre me buscava no colégio quando ficava lá até tarde para fazer algum esporte. Teve uma época, creio eu em 1993, em que eu fazia ginástica olimpíca ou ritima, não lembro exatamente qual. Não levava muito jeito – os que me conhecem sabem bem que eu era um tipo “cavalo” que se dava melhor em esportes coletivos – mas mesmo assim fazia por causa das minhas amiguinhas. Numa bela noite, ao fim de mais um treino, subi os muitos degraus da escada que dava acesso ao vestiário feminino, peguei as minhas coisas e desci para ir embora. Lá embaixo, sentado num dos bancos verde-e-brancos que circundavam a “quadra coberta” estava o meu pai, me esperando. Ele sorria. Mas não o sorriso habitual de pai zeloso que sempre vinha buscar as filhas na escola. Os olhos dele brilhavam. O meu pai sorri com os olhos.

- Filhota, adivinha? Compramos o á.pê.tê.ó.

Lembrei-me desse momento e desse dia especialmente hoje, após receber um telefonema da minha irmã. As conquistas que meus pais conseguiram foram sempre com muito suor e dedicação. As nossas conquistas, digo minha e da Lê, não são menos importantes ou sofridas, mas perto do que eles fizeram, parecem ter sido mais fáceis. Mas isso aconteceu por causa da luta e dedicação que os nossos amados pais tiveram, para nos dar o que há do bom e do melhor.

Hoje é o meu último dia em Lisboa. Hoje à noite pego um avião e me mudo para Viena, na Áustria, onde vou terminar a faculdade. No meio da confusão de malas, caixas, telefonemas, marcações e emails para visita de apartamentos, quartos e kitinetes, para conseguir "um lugar para chamar de meu", recebo um telefonema da Lê:

- Kell, fechamos o contrato.

Agora é a vez das filhotas do Sr. Moytha e da (-) Memé (que não é uma senhora, mas sim minha linda moça mãe) irem atrás de alcançar os seus objetivos e sonhos. Sem a segurança que o nosso a.pê.tê.ó nos deu por 15 anos, e que vai nos dar ainda por muitos anos, adicionado à segurança emocional vindo do casal M&M, nunca teríamos conquistado nada. E se hoje a conquista se faz real e palpável, só há dois pares de olhinhos brilhantes a quem devemos agradecer, mesmo que palavras e gestos não demonstrem um terço daquilo que queríamos e deveríamos demonstrar. Talvez, ainda, um par de palavras consiga chegar perto disso:

- Amamos vocês.

4 comentários:

  1. Dois pares de olhinhos brilhantes. Só eu e vc, Kell, sabemos o que eles significam. Te amo!!

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  2. Kellrida.Como é gratificante ver os frutos do amor conquistando seus objetivos sem esquecer as raízes e principalmente e sempre o AMOR que a tudo cerca. Beijos.

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