quarta-feira, 29 de julho de 2009

Propagandas portuguesas

Não assisto muita televisão. Em geral, quando assisto, me interesso mais pelos comerciais do que pela própria programação. Talvez seja resquício da alma publicitária que em algum lugar em mim habita. Mas, mesmo assim, não posso me considerar uma conhecedora da propaganda portuguesa.

O que primeiro me chamou a atenção foi o fato de tratarem o cliente por "você". Isso porque "você" é o tratamento de distância, seria como, no Brasil, tratar o cliente por "a senhora" ou "o senhor". Inimaginável, por exemplo, o nossa maior anunciante, as Casas Bahia, fazer um anúncio do tipo "Dedicação total aos senhores". Não dava né? Mas aqui é assim. É natural. Se existe REALMENTE essa distância no dia a dia, nada mais natural que a propaganda siga a linha. A questão é que aqui o cliente se sentiria desrespeitado se fosse tratado por "tu". Simples assim. Portanto, nenhum anunciante quer desrespeitar seu cliente. Já as campanhas voltadas para os jovens os tratam por "tu".

Selecionei algumas aqui, aquelas que mais gostei.

O primeiro é o VT do Azeite Oliveira da Serra, e a agência foi a McCann (porque será que é boa?) Campanha: "Da raiz à tampa." Essa é a minha preferida.



A próxima é do Euro Milhões (equivalente à Mega-Sena) que tem um slogan que eu adoro: "Euro Milhões. A criar excêntricos todas as semanas." A agência foi a JWT. Gaburiera, obrigada pela dica =)



E, por último, duas campanhas onde vê-se bem o tratamento por "você", que citei no início. Mas há que se notar que em momento algum você vai ouvir a palavra "você". O tratamento por você se dá simplesmente na conjugação dos verbos e no uso de pronomes como si e consigo onde nós usaríamos você e com você. O si deles não tem nada a ver com o nosso si de "si próprio". Vem da antiga 3ª pessoa do plural, o vós, aquele que mal sabemos conjugar, e que os portugueses também não usam (usando o plural vocês). Enfim, no meio da evolução linguística, o pronome oblíquo de você aqui em portugal tornou-se si. Portanto, "fazemos o melhor para si" e "vou consigo" significam cá nas terras de Cabral o que para nós seria "fazemos o melhor para o senhor" e "vou com o senhor".

Os exemplos são dois videos de grandes anunciantes portugueses (isso eu digo por minha conta, não sei exatamente, mas pelo número de veiculações, creio que seja). O Continente que é um hipermercado (não encontrei qual agência) e a Mini Preço (agência tbwa portugal) que é também um supermercado e concorrente do Continente.



domingo, 26 de julho de 2009

Dia dos avós


O dia 26 de julho foi escolhido como o dia dos avós porque neste dia a religião católica comemora o dia de Santa Ana e São Joaquim, os avós de Jesus. Para mim é um misto de alegria e saudade. Alegria porque pude conhecer os meus quatro avós, pessoas maravilhosas, cada um a seu jeito; mas saudade, primeiro, do Vô Zé e da Vó Stela que já se foram e, segundo, da minha vó mais linda do mundo, a Vó Duca, e do Rubão, alegrias sempre muito presentes em minha vida mas hoje distantes pelo fato de eu não estar lá.
Lá em casa nós sempre nos lembramos deste dia, mas nunca foi verdadeiramente comemorado; isso tem sido uma coisa mais recente e, porque não dizer, comercial que apareceu de uns anos pra cá. Por isto e apesar disso, para não perder o costume, vou postar um texto da Rachel de Queiroz, como homenagem aos meus amados, de quem tantas saudades sinto!


A arte de ser avó
Rachel de Queiroz

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens emulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

sábado, 25 de julho de 2009

Opção de carreira



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Que próximo livro ler?


Quando terminamos de ler um livro, em geral, temos a grande dúvida: qual o próximo livro a ler?

Algumas pessoas que eu conheço, correm para a lista dos best sellers publicada pela Veja. Outras lêem outro livro do mesmo autor, alguns recorrem à biblioteca pessoal, da escola, do trabalho ou, ainda, às vezes, vão a uma livraria e escolhem um livro por acaso (que, claro, tem todo o seu charme!).

A novidade é que descobri através do blog Visceras Literárias, que existe mais uma possibilidade para decidir qual próximo livro ler. E a ferramenta é o site The Book Seer. Lá, você digita o nome e o autor do último livro que leu e ele lhe dá algumas sugestões para a sua leitura seguinte. Muito simples e rápido.

Os títulos dos livros devem estar em inglês. Mas, por exemplo, eu escrevi Agosto, Rubem Fonseca & Gabriela, Jorge Amado, e ainda assim obtive resposta: mas em inglês. O que não é tão problemático, não é? Nos dias de hoje temos o google que serve pra resolver este tipo de questão. Basta uma pesquisa por nome de autor para que a versão traduzida para português (se houver) apareça de frente aos nossos olhos.

As dicas são dadas pela Amazon e LibraryThing.

Boa leitura!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Backpacking


"Tô que nem a Madonna em turnê mas com menos glamour e mais quarto compartilhado em hostel e couchsurfing, mas e daí? Essa parte não aparece no orkut mesmo. hahahhaha"

Minha querida amiga Gaburiera, from Florença, em momento filosofia de backpacker na Europa.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lisboa em 15 pontos - nº2


Interessante. Só consegui achar 12 pontos; e mesmo assim foi dífícil. Quando comecei a pensar neles achava que seria capaz de fazer uma lista com 200 coisas que eu odeio aqui. Mas afinal de contas cheguei a conclusão que gosto daqui. E que, na verdade, não ODEIO nada, simplesmente não gosto. E gosto de mais coisas do que desgosto. Mas mesmo assim, das coisas que eu não gosto, eu não gosto delas com mais intensidade do que gosto das coisas que gosto. Mas fico feliz com o saldo positivo. "Ainda bem que Lisboa não é a cidade perfeita..."

As doze coisas que eu não gosto em Lisboa, por Raquel Mendonça.

1. O VENTO (acho que esse eu ODEIO mesmo.)
2. A chuva no inverno (saudade dos invernos com o céu azul, sol e frio.)
3. O preconceito com toda forma de estrangeiro.
4. O preconceito com o português do Brasil (e que aprendam que não existe o brasileiro!)
5. A distância entre professores e alunos.
6. Não haver ciclovias.
7. O preço dos shampoos!
8. A palavra "telemóvel" e a forma como atendem, dizendo "estou sim?"
9. Pastéis de Belém.
10. O mau humor lisboeta.
11. Bacalhau (Sorry, sorry, sorry. Não me crucifiquem!)
12. A dificuldade em fazer amigos portugueses.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os 50 melhores livros para o verão


Aqui é verão e o Observer fez uma lista com os melhores livros para se ler, seja na praia, no parque ou em casa mesmo. Vale a dica para qualquer época do ano.

A minha dica pessoal é o livro que estou lendo no momento: "Um, ninguém e cem mil", de Luigi Pirandello (No Brasil: Um, nenhum e cem mil). Ótimo, inteligente e com humor, no mínimo, sutil. Estou me divertindo.

domingo, 5 de julho de 2009

Chico Buarque na FLIP



Chico Buarque diz o que o levou a escrever seu novo livro, "Leite Derramado".

sexta-feira, 3 de julho de 2009

...



...hoje estou à procura da biografia do autor desconhecido...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Verdade seja dita

Olha, desculpem, mas eu não sou fã do Michael Jackson. Pronto, falei.