quarta-feira, 26 de agosto de 2009

É tão bom: pagar mico!

Passei toda a última semana em Viena procurando um lugar para eu poder morar. Fiquei na casa da Tê, do Christian e do Phillip, princeso mais fofo do mundo que já fala português e alemão aos dois anos de idade - inveja negra (ou meu professor hahaha). "Auch mais" é a sua frase preferida. Foi uma semana super agradável porque, além de ter encontrado um apartamento ótimo, bem localizado e pequenininho, - mas só pra mim - tive a oportunidade de vivenciar o mundo das crianças, coisa que eu adoro.

O Phillip é um anjo. Sério! Criança mais tranquila, impossível. E como diz a Lê, menino mais simpático, impossível também. Vai com todo mundo, falador, não faz birra e é muito educado. A coisa mais linda é ouvi-lo dizer "Danke" toda vez que você dá algo para ele. Ok, oK! Às vezes tem que pedir pra ele falar... mas vê só, se é toda criança que faz isso? "Danke, Quequel"... Ahhhhhhh... eu fico louca né? E ele chorando quando eu fui embora? Ahhhhh... Seria lindo se não fosse triste. Eu já estou morrendo de saudade. Louca pra voltar. É... voltar pra Viena. Porque o lindo apartamento só vai estar liberado para minha mudança no dia 20 de setembro. Então, até lá, eu vou ficar aqui em Budapeste na casa do Radek.

Mas, voltando ao assunto, no domingo de manhã, eu, a Tê e o Phillip vimos o filme O Rei Leão e depois eu fiquei mostrando a ele alguns vídeos da Xuxa só para baixinhos pelo youtube, enquanto a Tê nos cozinhava um MARAVILHOSO frango com quiabo. O youtube tem agora umas listas que lhe dão a opção de reproduzir um vídeo atrás do outro. E foi o que fiz. Lá pelas tantas, depois de o Phillip pular feito um louco e já estar deitado no meu colo mais pra lá do que pra cá, começou um vídeo que me trouxe tantas lembranças que eu até chorei. (claro, manteiga derretida!) Afinal, tantas coisas acontecendo no Brasil, o casamento da Bêra e do Ivanzinho que tinha sido na noite anterior, a mudança da Lê e do Du para a casinha deles e a saudade que agora já convive comigo todo dia sem eu nem mesmo, às vezes, notar que ela está ali. Aí qualquer coisinha eu abro o chororô. Mas por causa desse vídeo das Paquitas eu me lembrei de uma história tão engraçada, que quero postá-la aqui.

Eu estava no segundo período. Portanto, deve ter sido ou no ano de 1987 ou 88. A escola de ricos onde eu estudava graças à "mãe Assembléia", o Colégio Santo Agostinho, sempre fazia algumas comemorações idiotas para os pais gastarem dinheiro. Daquela vez a ideia era dançar uma música do recém lançado L.P. das Paquitas. E, claro, não só o L.P. era recente, mas também o uniforme das Paquitas. (A mamãe vai me matar com o que eu vou escrever aqui agora hahaha) A minha mãe, apertada como sempre, fud. e mal paga - ou fud. e cheia de roupas novas - não tinha condições de mandar fazer o uniforme preto e dourado na costureira onde todas, repito, TODAS as minhas coleguinhas estavam fazendo os delas. Então, hei que surge a Telma. A Telma é a colega de serviço da mamãe que mais me irritou toda a minha infância com a seu humor negro e cinismo mas que, depois de crescida, eu acabei entendendo. Se não estou em erro, a irmã da Telma tinha uma filha ou sei lá o quê que tinha o uniforme das Paquitas. (P.s. Estou tendo crise de riso neste momento.) Então, QUE BOM! Resolvido o problema, nenhum tostão queimado nessa besteira de dançinhas escolares, chega o grande dia. Até então eu, pequena criança infeliz, tinha a certeza que tudo estava bem. Bom. Lá vem bomba. Tomei banho e a minha querida mãezinha tira da sacola o uniforme da Paquitas da irmã da Telma. ÓDIO!!!!!!!!!!!! A irmã da Telma não tinha a p. do uniforme preto e dourado. O uniforme das Paquitas que a irmã da Telma tinha era aquele antigo, vermelho, de soldadinho, sabe? Aquele da primeira geração das Paquitas, GERAÇÃO DA QUAL EU MAL ME LEMBRO! Birra, choro, muchocho, ódio, lágrimas e provável violência não resultaram em nada: eu tive que dançar com o uniforme vermelho de soldadinho da irmã da Telma! A ÚNICA paquita vermelha. Todas as outras lindas de preto e dourado. E eu, de vermelho. Deve ter sido essa a razão da minha revolta na adolescência, mãe! Meu Deus, que dó! Que mico! Que gorilazzzzzzzzz! O pior é que eu consigo lembrar disso e sentir saudade da infância. Vai gostar de sofrer, ow!

Abaixo segue o vídeo que me fez essa cartase de lembranças recalcadas =)


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A.pê.tê.ó


O meu pai sempre me buscava no colégio quando ficava lá até tarde para fazer algum esporte. Teve uma época, creio eu em 1993, em que eu fazia ginástica olimpíca ou ritima, não lembro exatamente qual. Não levava muito jeito – os que me conhecem sabem bem que eu era um tipo “cavalo” que se dava melhor em esportes coletivos – mas mesmo assim fazia por causa das minhas amiguinhas. Numa bela noite, ao fim de mais um treino, subi os muitos degraus da escada que dava acesso ao vestiário feminino, peguei as minhas coisas e desci para ir embora. Lá embaixo, sentado num dos bancos verde-e-brancos que circundavam a “quadra coberta” estava o meu pai, me esperando. Ele sorria. Mas não o sorriso habitual de pai zeloso que sempre vinha buscar as filhas na escola. Os olhos dele brilhavam. O meu pai sorri com os olhos.

- Filhota, adivinha? Compramos o á.pê.tê.ó.

Lembrei-me desse momento e desse dia especialmente hoje, após receber um telefonema da minha irmã. As conquistas que meus pais conseguiram foram sempre com muito suor e dedicação. As nossas conquistas, digo minha e da Lê, não são menos importantes ou sofridas, mas perto do que eles fizeram, parecem ter sido mais fáceis. Mas isso aconteceu por causa da luta e dedicação que os nossos amados pais tiveram, para nos dar o que há do bom e do melhor.

Hoje é o meu último dia em Lisboa. Hoje à noite pego um avião e me mudo para Viena, na Áustria, onde vou terminar a faculdade. No meio da confusão de malas, caixas, telefonemas, marcações e emails para visita de apartamentos, quartos e kitinetes, para conseguir "um lugar para chamar de meu", recebo um telefonema da Lê:

- Kell, fechamos o contrato.

Agora é a vez das filhotas do Sr. Moytha e da (-) Memé (que não é uma senhora, mas sim minha linda moça mãe) irem atrás de alcançar os seus objetivos e sonhos. Sem a segurança que o nosso a.pê.tê.ó nos deu por 15 anos, e que vai nos dar ainda por muitos anos, adicionado à segurança emocional vindo do casal M&M, nunca teríamos conquistado nada. E se hoje a conquista se faz real e palpável, só há dois pares de olhinhos brilhantes a quem devemos agradecer, mesmo que palavras e gestos não demonstrem um terço daquilo que queríamos e deveríamos demonstrar. Talvez, ainda, um par de palavras consiga chegar perto disso:

- Amamos vocês.