segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Isso não é uma história de amor

Tenho um amigo que, ao me conhecer, pensou que havia encontrado uma cult cinéfila, que só assistia Almodóvar, Kubrick e cia. Coitado. Ao primeiro sinal de conversa cinéfila, já fui logo soltando:

- Olha, desculpe a ignorância, mas eu AMO comédia romântica.

O que não significa que eu também não assista filmes cult. Mas só, por favor, não me venha com filmes de terror.

Esse fim de semana fui ao cinema com o Radek e uma (já!) amiga austríaca, muito fofa e que fala português deixando qualquer mineiro de boca aberta, a Burgi. Ela nos convidou para ir ao cinema e depois dançar música latina. Um programa interessantemente diferente. Então fomos.

O Radek, que estava com sono, disse gostar da ideia porque, então, ele poderia dormir enquanto eu me esbaldaria de tanto chorar com o beijo no final. Mas não foi bem assim. Era uma comédia romântica. Mas não era uma história de amor. Não me venham perguntar da produção, dos diretores, muito menos dos atores. Mas do alto do meu pequeno(!) poder de crítica cinematográfica acredito ser essa uma produção americana tentando dar uma europeizada. Além disso, os atores eu desconhecia. Mas assim que o filme começou, eu e a Burgi percebemos que o ator principal era super conhecido, mas como ator infantil. Conseguia vê-lo perfeitamente quando criança, mas não lembrava nem o nome nem os filmes que ele fez. Por fim, o filme foi ótimo para um fim de semana tranquilax e com aquela ideia de esperança que dá vontade de seguir a vida em frente, apesar dos pesares.

Mas o melhor de tudo, mesmo, é a trilha sonora do filme. Vale a pena conferir - e comprar o CD, claro. Eu já "comprei".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Kindle



Meu novo sonho de consumo. PRECISO ter um.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sofá

Afogada no meu sofá, sonhando um dia ser a Bruna Beber, com frio e saudade.

Querendo ser o não-eu, acabo sendo in-eu.

Mas hoje estou out mesmo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pequena teoria do riso

Vi isso no blog do Mauro Sta Cecília

"Manifesta-se no riso das pessoas, na maioria das vezes, qualquer coisa de grosseiro que humilha a quem ri, embora essa pessoa quase nunca saiba o efeito que o seu riso provoca. Tal como não sabe (ninguém sabe, aliás) a cara que faz quando dorme. Há quem mantenha no sono uma cara inteligente, mas outros há que, embora inteligentes, fazem uma cara tão estúpida a dormir que se torna ridícula. Não sei por que tal acontece, apenas quero salientar que a pessoa que ri, tal como a pessoa que dorme, não sabe a cara que faz. De uma maneira geral, há muitíssimas pessoas que não sabem rir. Aliás, isso não é coisa que se aprenda: é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso. A não ser que nos reeduquemos interiormente, que nos desenvolvamos para melhor e que superemos os maus instintos do nosso caráter: então também o riso poderá possivelmente mudar para melhor. A pessoa manifesta no riso aquilo que é, é possível conhecermos num instante todos os seus segredos. Mesmo o riso incontestavelmente inteligente é, às vezes, abominável. O riso exige em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas? O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as pessoas ser alegres? A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça. Por vezes não há meio de percebermos o caráter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de caráter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as idéias mais nobres, olhai antes para ela quando ri. Ri bem – é boa pessoa. Observai depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça estúpido, por mais alegre e ingênuo que seja. Mal decteteis a mais pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que assim ri é intelectualmente limitada, apesar de nos expor um sem fim de idéias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos a dignidade suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso mas por qualquer razão vos pareça vulgar, também a natureza dessa pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, se dedicará ao ‘útil’, abandonando sem pena as idéias nobres como sendo erros da juventude.”

(Fiódor Dostoiévski - 1821-1881)