sábado, 10 de abril de 2010

Tatuagem

Várias vezes em minha vida, eu fui acordada em lindos e ensolarados sábados de manhãzinha pela minha querida e afinada (sic!) mãezinha, escutando e cantando Chico Buarque. E foi assim que eu aprendi a gostar dele, como acho que todas as mulheres no Brasil acabam fazendo, porque, afinal, ele é capaz de entender a alma feminina melhor que muitas de nós.
Hoje é sábado. E mais uma vez eu escrevo sobre os meus atuais sábados em comparação com sábados findos. Apesar da semana ensolarada que tivemos em Viena, hoje o dia acordou murcho. E assim acordei eu. Para me animar a estudar para uma prova de alemão que tenho na 3ª feira, resolvi escutar Chico (assim, bem de pertinho) para ver se ele me traz energias sabáticas e ânimo anteniense.



Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...

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