sábado, 30 de outubro de 2010

Noquilo

Outro dia estava reclamando no Facebook da falta que sinto do comida a quilo. Para vocês que vivem no Brasil, nada mais normal, não é? Um restaurante a cada quarteirão; comida mineira, ou churrasco, ou comida light, saladas, ou comida japonesa, talvez chinesa, ou ainda a opção normal, aquela sem graça, do dia-a-dia, na esquina do trabalho, que não se renova há alguns anos, mas que serve, já que é baratinha e aceita ticket-refeição.

A primeira vez na vida em que o gringo foi a um restaurante a quilo, foi em dezembro de 2008 e fomos num que fica em Belo Horizonte, numa rua que faz esquina com a Av. Silva Lobo, provavelmente chamado algo próximo de Chalé Mineiro, e que meus pais particularmente adoram e religiosamente frequentam aos domingos, quando não há almoço de família. Seus olhos brilhavam, inacreditados; ele pôs praticamente um pouco de tudo no prato estilo pedreiro, até que percebeu que havia também a opção de carne de churrasco. Até hoje, quando em vez, ele me diz: “quero ir em Brasil agora comer picanha no restaurante muitão bom“.

prato do gringo

Quando eu cheguei à Budapeste para ficar, no último setembro, comecei a procurar emprego. A primeira opção, como professora de inglês e português, me obrigou a procurar escolas de línguas pela cidade. Algo me dizia que seria muito fácil, pois sempre que ia para a faculdade com o bonde, via várias opções. A cada esquina, como o comida a quilo no Brasil, eu conseguia reconhecer, através do meu parco conhecimento de húngaro, escolas de inglês, com a bandeira do Reino Unido e escrito “Angol“ = Inglês. Fiquei impressionada com a vontade dos húngaros em aprender inglês. Mas que bom! Melhor ainda para os professores, não é? Eu, então, resolvi entrar na escola de Angol aqui perto de casa, com o currículo em mãos; foi quando percebi que TODAS as escolas da minha imaginação (e incompetência húngaras) se tratavam de brechós de roupas usadas made in England. Patético?

Na última segunda-feira, correndo pela cidade atrás de burrocracia para minha autorização de residência (que vai bem, finalmente, obrigada!), resolvi me aventurar numa dessas lojas de línguas (ou seria escola de roupas?). Entrei e, apesar de não ter gostado de quase nada à primeira vista, continuei fuçando, como boa filha de Mércia, e já que precisava esperar uma hora até a abertura de um dos offices onde tinha que ir. Achei estranho porque nenhuma das roupas tinha a etiqueta com o preço. Pensei em perguntar, mas imaginei que ali seria difícil de achar algúem que falasse alguma língua estrangeira e, quase desistindo e indo embora, avistei um lindo casaco roxo, exatamente como os que andava pretendendo há algum tempo; peguei, experimentei, e gostei. “Como diabos vou saber o preço?“ Então, perguntei – coçando o dedão no indicador – para a senhora que estava sentada no provador e ela, prontamente, disse: Kassa. Com ódio por ter que perguntar o preço no caixa, o que pode causar certo constrangimento “imagina se for caro?“, me dirigi ao caixa. Novamente dedão no indicador, a mulher me toma o casaco da mão, calmamente o dobra e, pasmem meus senhores... 

coloca o casaco numa balança.


A ideia do “a quilo“ calmamente se aproxima do mundo húngaro.

3 comentários:

  1. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, que tudo!!!!!!!!!!!!Roupa a quilo?? Imagina quantas calcinhas você não poderá comprar, ao preço de uma?? kkkkkk!!! Viu? Vc reclamou da falta de comida a quilo,mas conseguiu algo beeem melhor que isso....

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  2. P.S: saudaaaaaaaade do gringo!!!!!!!!!! DoS gringoS!!!

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  3. Kell querida, sensacional esta nova modalidade do "a quilo"!!!
    Mas, fica a pergunta: você, afinal, comprou o maravilhoso casaco roxo?? rsrs...
    Mil beijos!!!

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