sábado, 27 de novembro de 2010

Vinho quente

A primeira neve chegou, prometendo um inverno rigorosíssimo, e algumas coisas começam a se tornar familiar no fim de ano longe de casa e longe do natal tropical. Aprendendo a não ir mais ao mercado central com meu pai e minha irmã comprar muitas frutas e nozes no dia 24 de dezembro, sem bacalhau, sem a música de natal da Globo (oh, God! Como somos monopolizados...) sem rezar à meia noite e sem a família toda reunida, a verdade é que a gente acaba aprendendo os cheiros, os gostos e a tradição que está ao nosso alcance, afinal, somos seres humanos altamente adaptáveis.


O cheiro que eu mais rapidamente aprendi a conectar com o fim do ano aqui, além do cheiro da neve, é o cheiro do Glühwein (ou em inglês Mulled wine), que para nós seria, nada mais, nada menos do que vinho quente. Existem algumas variações, mas basicamente é vinho tinto quente, com canela e gengibre.

No ano passado, quando Memé, Moytha e Lê vieram finalmente conhecer o velho continente, estávamos em Viena e fazia por volta de -5ºC. Apesar dos gritos e berros para que a minha linda mãezinha se vestisse de forma a não sentir frio (quem parecia a mãe era euzinha...), ela preferia se vestir de forma a estar bela; o que obviamente nos causou uma situação interessante. A mamãe, de repente, começou a se envergar, completamente encolhida, no meio da rua, numa pequena feira de vinhos e queijos, próxima à Stephansdom. Eu então, muito brava e muito mãe, disse a ela que deveria tomar vinho quente. Ela não quis, disse que era ruim (eco!), e então pediu ao vendedor uma taça de um vinho francês muito chique, mas nada quente. Eu, que aprendi a ser menos boba no inverno, pedi mesmo um copo de Glühwein. Copos na mão, começamos a tomar, e a minha mãe continuava envergada e branca. Até que eu lhe ofereci um golinho. Resultado: ela simplesmente largou a taça do vinho chique e tomou todo o meu (eco!) vinho quente. E no fim teve até forças para rir da situação.



Ingredientes:
2 garrafas de vinho tinto (por favor, não usem o chapinha)
150ml de vinho de gengibre (ou então de vinho do porto, mas então você deve acrescentar pedaços de gengibre)
150ml de água
50g de açucar mascavo
2 mexericas pequenas, com o cravo cravado na bundinha (rsrs sem trocadilhos, please)
Pedaços de pau de canela
Noz-moscada

Coloque tudo numa panela e esquente por uns 15 minutos, tomando cuidado para não deixar o alcool evaporar, mas sim, para intensificar o seu sabor. A Nigella explica melhor, até o minuto 5:10.

6 comentários:

  1. Putz, adoro Glühwein (tão Berlin), quentão, gengibre, festa junina e variações desse gênero rsss
    Ah, e graças a Deus a Globo esteve muito pouco presente nas minha celebrações de Natal, cruz credo.

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  2. Aaaaaaaaaa, que delícia relembrar desse dia!!! E dessa história!!!!! E dessa viagem!!!!!!! Realmente,minha mãe é um espanto....prefere estar morta, mas sempre bela. Eu também tinha preconceito com vinho quente, porque me lembrava o tenebroso quentão das festas juninas. Mas quando provei, humpf, delícia!!!

    Love u gringa!

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  3. Kell,
    É tudo vero. Lembro-me exatamente do gole quente descendo pela garganta. Tudo de bom!!!Ainda bem que nós, pobres seres humanos,teimamos e continuamos a aprender, né?
    Bjos de sua louca mãinha

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  4. Raquel, fiquei com uma vontade louca de experimentar o Glühwein. Vou fazer este Natal, sem falta :)
    Conheço algumas mulheres como a tua mãe, que aguentam o frio para não perder a classe, mas com -5º deve ser complicado, só mesmo com vinho quente! Aqui temos o hábito que beber Ponche quente no Inverno, é muito bom.
    Bjs

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  5. Adorei a história!
    Fiquei imaginando a situação! hehehe
    Adoro todos vocês.
    Confesso que concordo com a Lê. Vinho quente também me lembra quentão de festa junina.
    Mas já que vocês falaram tão bem, vou copiar a receita para experimentar no próximo inverno.
    Já pensou Juju tomando Glühwein?
    Très Chique!!!
    hehehe
    Beijos Beijos!

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